segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Releitura



Retrato pessoal do caso reto,
olhos oblíquos,
as curvas que desejo me envolvem
assim como a serra abraça a encosta.

Morro,
o mar me alcança
seus dedos
e os meus cabelos

Linhas sonoras ondulando
até o tímpano,
pra que trepide assim
meu apertado coração.

O sonho paira,
- cerração -
confundindo as retas
paralelas
de nossos lençóis

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

LiberdadeAi que prazer 
Não cumprir um dever, 
Ter um livro para ler 
E não fazer! 
Ler é maçada, 
Estudar é nada. 
Sol doira 
Sem literatura 
O rio corre, bem ou mal, 
Sem edição original. 
E a brisa, essa, 
De tão naturalmente matinal, 
Como o tempo não tem pressa... 

Livros são papéis pintados com tinta. 
Estudar é uma coisa em que está indistinta 
A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto é melhor, quanto há bruma, 
Esperar por D.Sebastião, 
Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
Mas o melhor do mundo são as crianças, 

Flores, música, o luar, e o sol, que peca 
Só quando, em vez de criar, seca. 

Mais que isto 
É Jesus Cristo, 
Que não sabia nada de finanças 
Nem consta que tivesse biblioteca... 
Fernando Pessoa, em Cancioneiro.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pendejo, tu me encantas

   Saudade de você, de quando a gente passava as tardes sozinhos em casa; de quando você fazia rango no almoço pra eu ir pro colégio; de quando você me extorquia pra passar os cadarços do seu tênis furado de skate; de quando a gente voltava de ônibus circular do SESI e apostávamos corrida desde a subida da rua santa paula, passava pela escadaria do prédio, até o sofá de casa, pra ver quem pegava o controle da tv primeiro - intenso circuito.
   Memória discursiva. Músicas gravadas no HD da minha mente. Lembranças sensoriais. Sentimentais. Sonoras - às gargalhadas. Sabes que a música sempre nos foi muito importante. Escuto Face to face, Milecollin e tenho a sensação de não me lembrar do que recordo. Mas o peito se engrandece e a garganta se fecha assim que é dado o play.
   Foi ligado o botão da vida. A distância hoje é presente. As rotinas mudaram. Mas quando a ausência não existe e, meu peito se encontra com o teu; quando seus braços se apertam em volta do meu corpo esguio, sei que nada disso passou e, que as brigas, hoje são fatos históricos.
   A mãe sempre disse: - um cuida do outro! E a gente se socava quando ela não estava. Mas fora de casa, éramos escudos um do outro. Só eu e você sabemos o que passamos, de ruim e de muito bom. Você é um pedaço meu.. não cabia na barriga da mãe tudo junto, só por isso nasci depois. Você é presente. Você é meu irmão, meu amigo. Meu orgulho. Meu carinho. Carinho na cabeça do menino de cabelos pretos.

Não é de ação, é drama

Quero um dublê
para minha rotina
- a arte imita a vida -

Os mesmos cabelos
e pernas finas,
passos macios
sem dançar

Parafuso no crânio
Fogo no peito
Destino de sangue

terça-feira, 15 de maio de 2012

rabisco pra mãe

   Linda minha, mãe querida, amiga fiel, cuidado constante, carinho seguro, cafuné no couro cabeludo, creme nos pés, rímel nos olhos, lábios coloridos, comida querida, tamanho necessário pra que eu alcance um abraço esmagador, beijo na testa, beijo no côco, sensatez, amor, amor, mulher, força, luta, alegria, vida, vida, vida.. Aperto no peito, fôlego preso, tropeço, soluço, desafogar, impulso, coragem, beleza, brisa no rosto, vestido florido, saia no vento, sol brilhando de manhã, respirar, sentir, leveza no andar, dançarina do meu espetáculo, cores, saudade que não se mata... amo você minha passarinha.. Voe!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

"Bruraal"

  Tenho que vomitar tudo que tenho aqui dentro,
e já aviso:

não é comida.

intemperança

guerra armada
nesse instante
injusta

coitada da maria-fedida
mas sou grata ao inseticida

Assassino,
e vitoriosa
me lambuzo com o molho
vermelho-sangue
de meu macarrão requentado

e que passe

me monto
me construo desde pequena

não sei como é só ser
respirar o ar fresco
o cheiro da relva úmida

tijolo por tijolo
muita massa
pedregulho

por baixo um rio caudaloso
que ameaça as bases fixas
encanado

rio caudaloso comendo na curva
roendo a margem
querendo passar

Dispneia

um grito mudo
na garganta presa
inflama

abre a boca
com as duas mãos
pra que tire
o que me tapa

as cordas vocais
o alvéolo pulmonar

camomila não mais me adianta

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Eu posso até achar que tá verde, mas não



Casca technicolor,
polpa monocromática,
cheiro doce,
gosto molhado;

Ora passa da hora,
apodrece

Ora tu colhe certo,
amadurece

Amarrar a boca é outra coisa

Copa amarela,
verde d'água

Raízes rígidas,
fibras musculares.

Flor colhida no jardim

Amarrar a boca é outra coisa



(imagem via internet)

Infância - Graciliano Ramos

Heavier than Heaven - Charles Cross

Biografia de Kurt Cobain, um dos melhores livros que já li.
Um dia escrevo algo sobre.