segunda-feira, 2 de abril de 2012

"Bruraal"

  Tenho que vomitar tudo que tenho aqui dentro,
e já aviso:

não é comida.

intemperança

guerra armada
nesse instante
injusta

coitada da maria-fedida
mas sou grata ao inseticida

Assassino,
e vitoriosa
me lambuzo com o molho
vermelho-sangue
de meu macarrão requentado

e que passe

me monto
me construo desde pequena

não sei como é só ser
respirar o ar fresco
o cheiro da relva úmida

tijolo por tijolo
muita massa
pedregulho

por baixo um rio caudaloso
que ameaça as bases fixas
encanado

rio caudaloso comendo na curva
roendo a margem
querendo passar

Dispneia

um grito mudo
na garganta presa
inflama

abre a boca
com as duas mãos
pra que tire
o que me tapa

as cordas vocais
o alvéolo pulmonar

camomila não mais me adianta