terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pequenos Prazeres - II de II

Toda vez que pego um livro, em qualquer biblioteca, ainda faço a brincadeira que costumava fazer há uns anos:  leio os nomes de quem já pegou o livro, na ficha de empréstimos, na capa de trás. Me deleito em ver os nomes das pessoas que se interessaram pelo mesmo assunto, há anos atrás! Ou não. Quem são essas pessoas? Era como se eu pudesse ler além dos nomes... O que pensavam no dia em que pegou o livro? Quais idéias as inspiravam? Seriam como eu?
    Os nomes eram como amigos irreconhecíveis na multidão. Abria o livro com certo receio, disfarçada. E o dedo, junto dos olhos, descendo a lista dos nomes e datas, me dava prazer. Me dava uma pequena alegria. Um pedaço de euforia dentro do silêncio da biblioteca. Mas o mais instigante, é encontrar em meio aos nomes desconhecidos, um nome conhecido. Reconhecido. Sublime sinapse platônica.
    Um dia desses fiz novamente, por extinto. E me reconheci. Me lembrei do amigo cujo nome foi encontrado na ficha. Agora, ele se encontra a um oceano de distância. Me lembrei da assinatura... a data  é de 2007. E me lembrei, que em 2007, eu andava pela biblioteca municipal...

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